Líderes europeus apoiam Ucrânia para ser candidata à UE

O chanceler alemão, Olaf Scholz, o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, e o presidente romeno, Klaus Iohannis, reuniram-se em Kiev com presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.

O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, que representam as três maiores economias da União Europeia (UE), além do presidente romeno, Klaus Iohannis, reuniram-se em Kiev nesta quinta-feira (16/06) com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e afirmaram apoiar que a Ucrânia ganhe o status de país candidato à UE.

A Comissão Europeia deve informar na próxima semana se concederá à Ucrânia esse status, que significa o início de um longo processo para tentar aderir ao bloco.

Zelenski tem feito pressão pela rápida admissão da Ucrânia à UE, como uma forma de reduzir a vulnerabilidade geopolítica do seu país, que sofre uma invasão russa desde 24 de fevereiro. Mas autoridades e líderes do bloco advertem que, mesmo com o status oficial de país candidato, o processo de adesão pode levar anos ou mesmo décadas.

Em uma coletiva de imprensa em Kiev, Scholz disse que o governo alemão apoia o pedido de Kiev para ter status de candidato à UE, e Macron afirmou que “nós quatro apoiamos o status imediato de candidato à União Europeia”. 

“É um momento importante. É uma mensagem de unidade que estamos enviando aos ucranianos”, disse o francês, pouco depois que os líderes chegaram de trem.  

“Estamos em um ponto de inflexão na nossa história. O povo ucraniano defende diariamente os valores da democracia e da liberdade que sustentam o projeto europeu, o nosso projeto. Não podemos esperar. Não podemos atrasar este processo”, disse Draghi, ao apoiar o status de candidato para a Ucrânia.

“Estamos prontos para trabalhar para que nosso Estado se torne membro pleno da UE”, disse Zelenski. “Os ucranianos já ganharam o direito de seguir por este caminho e obter o status de candidato.”

Pedidos de mais armas

Durante a coletiva de imprensa, Macron anunciou que Paris entregará “mais seis howitzers móveis Caesar” à Ucrânia, e Scholz prometeu fornecer apoio militar para a Ucrânia “pelo tempo que for necessário”.

A ministra da Defesa alemã, Christine Lambrecht, disse na quarta-feira que Berlim forneceria à Ucrânia três sistemas de lançamento múltiplo de foguetes M270 (conhecidos em alemão como MARS II) – um a menos do que as quatro unidades que o governo alemão havia planejado enviar inicialmente.

Zelenski afirmou durante a coletiva que, quanto mais armas receber, mais rápido poderá retomar o território ocupado pela Rússia. 

“Cada dia de atraso ou de decisões adiadas é uma oportunidade para os militares russos matarem ucranianos ou destruirem nossas cidades”, disse Zelenski. “Há uma correlação direta: quanto mais armas poderosas recebermos, mais rápido poderemos libertar nosso povo, nossa terra.”   

O presidente romeno, Klaus Iohannis, condenou a “o uso dos grãos como arma” pela Rússia, dizendo que isso estava tendo um impacto global.

Scholz: “Crueldade inimaginável”

Antes da coletiva de imprensa, os líderes europeus observaram a destruição na cidade de Irpin, vizinha a Kiev.

Scholz disse que a cidade havia passado por uma “crueldade inimaginável” e “violência sem sentido”. Foram encontradas valas comuns na cidade de Bucha, que também fica perto de Kiev. 

Scholz, Macron e Draghi visitaram a cidade de Irpin, vizinha a Kiev.Foto: Ludovic Marin/AP/picture alliance

Macron condenou a “barbárie” dos ataques russos e elogiou os moradores locais que lutaram contra a tentativa fracassada da Rússia de controlar o território ao redor da capital. 

“Eles destruíram as creches, os parques infantis, e tudo será reconstruído”, disse Draghi, prometendo apoio europeu para reerguer a Ucrânia.

Em um post no Twitter, Iohannis escreveu que “não há palavras para descrever a inimaginável tragédia humana e a horrível destruição” em Irpin.

A viagem ocorreu em meio às críticas de que países europeus não estariam fazendo o suficiente para ajudar a Ucrânia a resistir à invasão.

Deutsche Welle. bl (Reuters, AP, AFP, dpa)