Serviços Residenciais Terapêuticos recuperam vidas em Maceió

Imagem: Ascpm SMS.

Maceió dispõe de sete residências terapêuticas em pleno funcionamento

A Prefeitura de Maceió conta com um braço essencial na política de saúde mental: os Serviços Residenciais Terapêuticos, também conhecidos apenas como Residências Terapêuticas (RTs). É nesses locais que pacientes egressos de longos períodos de internação em hospitais psiquiátricos têm recebido o apoio necessário, para que possam resgatar sua autonomia e dignidade.

A reforma psiquiátrica em vigor defende a desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos oriundos de instituições de longa permanência, com sua reinserção social e reintegração à família. Em Maceió, a criação desses novos vínculos tem passado, necessariamente, pelas Residências Terapêuticas (RTs) que, além de ser o local de moradia, têm a missão de prepará-los para serem reintegrados a um cotidiano normal.

As residências terapêuticas (RT) integram a Rede de Atenção Psicossocial do Município, sendo administradas – por meio de convênio de cooperação – pela Associação de Usuários e Familiares dos Serviços de Saúde Mental de Alagoas, a Assuma. Semanalmente, a técnica Amanda Braga, da Gerência de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde, realiza a supervisão junto às residências terapêuticas, com o intuito de orientar e buscar aproximação da prestadora do serviço dos dispositivos que compõe a Rede de Atenção Psicossocial, para garantir aos usuários os direitos que lhes são conferidos.

Sheila Ferro, gerente de Atenção Psicossocial da SMS. Imagem: Divulgação

“É importante salientar que as residências são um serviço exclusivo para usuários egressos de hospitais psiquiátricos de longa permanência, que não possuem vínculos familiares ou têm vínculos familiares rompidos e, portanto, impossibilitados de retornar”, explica a gerente de Atenção Psicossocial, Sheila Erika Ferro.

De acordo com a assistente social da Gerência, Roseane Farias, que também atua no apoio às RTs, a iniciativa possibilita o acolhimento e acompanhamento necessário dos usuários nesse período de transição, estimulando sua autonomia – inclusive com a emissão de documentos pessoais – para que sigam com uma vida independente e retomem o convívio familiar e com a sociedade.

“As RTs foram um marco para a assistência na área a Atenção Psicossocial, pois mostram na prática e de forma efetiva que a proposta do cuidado humanizado e em liberdade, na área do território, com a reinserção familiar e social, é totalmente possível”, reforça Roseane.

Atualmente, o Município dispõe de sete residências terapêuticas, abrigando um total de 71 usuários egressos das clínicas Dr. José Lopes de Mendonça e Miguel Couto, e também do Hospital Portugal Ramalho. Sob a administração da Assuma, em cada RT uma equipe composta por cuidadores, cozinheiras, técnicos de Enfermagem e enfermeiros está presente no desenvolvimento diário de tarefas. O acompanhamento – clínico e psiquiátrico – contínuo é feito pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Após a longa permanência numa instituição, o Sr. José Gomes começa a retomar os laços com a família. Imagem: Divulgação

Nas residências, os usuários participam de oficinas lúdicas e atividades do cotidiano, como passear ou fazer compras, onde reaprendem a lidar com uma rotina e responsabilidades, inclusive as que se referem à autonomia financeira, regatando neles a própria cidadania.

“Vale muito a pena vê-los recuperar a própria vida. E até mesmo aqueles que já não têm família, formam nas residências um novo ciclo familiar, num ambiente muito diferente da frieza de uma instituição psiquiátrica. Trocamos laços de contenção por laços de afeto”, atesta a coordenadora das RTs pela Assuma.

De volta pra casa
Cerca de oito anos separaram o aposentado José Gomes de sua família. Afastado do convívio com a mulher e as duas filhas, ele viveu os primeiros quatro anos desse período, interno na Clínica Dr. José Lopes. Quando a instituição foi fechada, em 2017, seguiu para uma RT no bairro da Gruta. E agora, há pouco mais de um mês, ele retornou ao convívio familiar com uma das filhas e netos.

A decisão da família, que mantinha o contato com o idoso, de 79 anos – mas não a convivência diária – veio com seu adoecimento, provocado por uma queda. A partir disso, a filha Eliane, percebeu que não deveria mais deixar de aproveitar cada momento juntos.

“Eu cuidei da minha mãe, vítima do câncer, até sua morte. Depois, precisei de um tempo pra me recuperar, cuidar de mim e da minha família. Mesmo assim, me arrependo de não ter feito isso pelo meu pai antes. Agora, mesmo afetada por problemas de saúde – hipertensão e diabetes – tudo o que quero é poder proporcionar a ele a alegria de estar com sua família”, ressaltou Eliane Gomes, profissional de serviços gerais.

Assim como o sr. José, apenas um morador de RT voltou a conviver com a família este ano, no município de Ouro Branco. E outros três moradores estão dando os primeiros passos nessa fase de adaptação com suas famílias, iniciando a fase de visitas nos finais de semana.

Texto: Cássia Oliveira / Ascom SMS. Imagem: Ascpm SMS.