Teatro Deodoro completa 110 anos de arte neste domingo (15) com celebração virtual

Imagem: João Erisson.

Em pleno Centro de Maceió, mais especificamente na Praça Deodoro, o prédio chama a atenção pela beleza e imponência e encanta, a cada olhar, pela riqueza de detalhes.

Do lado de fora, vem a admiração pela arquitetura; na parte superior do edifício, atributos das artes, pequenos templos, estátuas representando a história, a filosofia, a deusa, a música e a estátua de Apollo.

Dentro da sala de apresentações, as pinturas no teto, o luxo do lustre, o vermelho da cortina, os detalhes das frisas são um espetáculo à parte. No salão nobre, a decoração e os móveis antigos atraem os visitantes. No foyer, várias placas eternizam grandes nomes recebidos e momentos vividos aqui.

O lugar guarda muitos e importantes capítulos da história da arte e da cultura de Alagoas. Estamos falando do Teatro Deodoro, palco administrado pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), bem como seus anexos: o Teatro de Arena Sérgio Cardoso e o Complexo Cultural Teatro Deodoro.

Muito mais do que um cartão postal. Sua representação, entre os artistas, é de um lugar sagrado, um templo, um senhor, um Deus. Para o público, emoção, alegria, deleite. Para Alagoas, um patrimônio cultural, e por quê não o patrimônio cultural? A casa, que é referência entre os teatros históricos do Brasil e do mundo, chega a um marco: 110 anos de existência.

“É uma grande emoção poder vivenciar o aniversário de 110 anos do Teatro Deodoro, um lugar importante e de grande representatividade para a arte e a cultura de Alagoas. O teatro chega a esse marco em plena atividade com calendário intenso, que precisou ser pausado na quarentena, mas que mantém seus projetos e diálogo frequente com a classe artística de Alagoas”, afirmou a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.

O Teatro Deodoro foi construído para materializar o sonho do progresso artístico vivido pela população e os governantes de Alagoas, no início do século XX. No dia 11 de junho de 1905, era lançada sua pedra fundamental no Largo da Contiguiba, também conhecido como Largo das Princesas, no Centro de Maceió.

A obra, projetada pelo arquiteto Luigi Lucarini e tocada pelo mestre de obras Antônio Barreiros Filho, foi concluída em 15 de novembro de 1910, marcando os festejos de 21 anos da proclamação da República. A peça escolhida para essa data foi “O dote”, de Arthur Azevedo e, em seguida, o monólogo “Um beijo”, do alagoano J. Brito, encenado pela atriz de renome nacional Lucila Peres.

Em 1914, o Deodoro sofreu com a chegada do cinema, bem como outros teatros do país, sendo arrendado a uma firma comercial e transformado em cinema. Diante da reação dos alagoanos, não demorou a voltar à sua finalidade inicial.

A primeira reforma aconteceu em 1933, ficando fechado até meados de 1934. A ópera “A Toscana”, pela Companhia Lírica Italiana, marcou o reinício das atividades. Entre os anos de 1937 e 1939, foi transformado em depósito. Reincorporado ao patrimônio do Estado, em 1940, voltou às suas verdadeiras funções.

Em mais de um século, o Deodoro recebeu atores, diretores, companhias teatrais e grandes nomes da música popular e erudita. Entre eles, Itália Fausta, Cia. Lírica Italiana, Bidu Sayão, Procópio Ferreira, Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, Companhia Eva Tudor, Rodolfo Mayer, Bibi Ferreira, Paschoal Carlos Magno, Fernanda Montenegro, Amir Haddad, Christiane Torloni, Clarice Niskier, Rosana Stavis, Marcos Damaceno, além de Caetano Veloso, Gal Costa, Egberto Gismonti, Arthur Moreira Lima, Djavan, Duofel, entre outros.

Entre os artistas locais, o palco já recebeu nomes do teatro, como Linda Mascarenhas, Pedro Onofre, Ronaldo de Andrade, Homero Cavalcante, José Márcio Passos, Otávio Cabral, Ivana Isa, Waneska Pimentel e Diva Gonçalves; grupos como a ATA, Cena Livre, Cia Nega Fulô e Joana Gajuru; companhias de balé, a exemplo da Maria Emília Clark, Eliana Cavalcanti, Emília Vasconcelos; artistas da música como Leureny Barbosa, Wilma Miranda, Wilma Araújo, Zailton Sarmento, Ibys Maceioh, além de grupos como Clube do Jazz de Maceió, Camerata Ero Dictus, Coretfal, Corufal, Orquestras Sinfônica e Filarmônica de Alagoas.

“Uma honra perceber que este importante templo das artes de Alagoas chega aos seus 110 anos como um poderoso espaço, que vem proporcionando meios para a compreensão do pensamento e das expressões artísticas do nosso estado, se firmando como um dos equipamentos artísticos culturais mais importantes do nosso cenário e sabendo se fazer síntese da diversidade natural do ser humano, um espaço de unidade e integração. O palco oficial do estado, conseguiu efetivamente se tornar democrático em sua essência, tanto na ocupação do palco, quanto em suas plateias. Avante!”, declarou o gerente artístico e cultural da Diteal, Alexandre Holanda.

O principal projeto da casa é o Teatro Deodoro é o Maior Barato, que abre edital anualmente para selecionar espetáculos de artes cênicas (teatro, dança e circo) e de música (popular e erudita), como forma de incentivar e valorizar a produção artística-cultural alagoana. Em sua 21ª edição, o projeto terá 15 apresentações, que seriam em 2020, mas foram adiadas para 2021 por causa da pandemia da Covid-19. A Diteal realizou uma versão especial online em seu canal do Youtube com uma prévia do que haverá no palco no próximo ano.

O ator e diretor, José Márcio Passos, que celebrou seus 50 anos de carreira artística ao lado do grande amigo, ator, diretor e dramaturgo, Homero Cavalcante, nos 108 anos do Deodoro, falou sobre a relação com esta casa. “Por mais que você negue, se quiser, que um teatro pode não se caracterizar como uma casa de artistas, você está dizendo bobagens. Um artista sente no teatro o seu lugar. É o cheiro do mofo e da umidade. O som dos passos na madeira do palco. A reverberação da voz projetada até a última fila das cadeiras. A escuridão total e a cegueira rápida provocada quando o forte refletor se acende. E o toque. A troca de olhares. A respiração. O doce perfume da maquiagem. Tudo isso e, por fim… a emoção. Sentar, sozinho, no meio das poltronas e deixar que o calor de todas as saudades te abrace e te console. Chorar junto com as lembranças. É a minha casa; é a casa de todos nós. Ah! Teatro Deodoro… eu te amo! Feliz aniversário!”, declarou.

A bailarina, coreógrafa, diretora e professora Maria Emília Clark, parceira da Diteal no projeto Ballet a Serviço da Educação, que oferece aulas gratuitas da dança a alunos da rede pública de ensino, participou nos últimos anos da programação em homenagem ao aniversário do Deodoro, apresentando a culminância do trabalho realizado com os estudantes, na sala de música do Complexo Cultural Teatro Deodoro.

“O Teatro Deodoro foi concebido para realizar sonhos, evoluções culturais. Historicamente falando, uma casa que reparte sonhos e produções quantitativas e qualitativas através do “Largo das Princesas” (Largo Contiguiba). De sua ação social ampla, beneficiando as escolas públicas do estado em seus espetáculos. Luiggi Lucarini, arquiteto, aventureiro e realizador, ficaria muito feliz em ver a ocupação humanizada das atividades desta instituição, que apoia todas as artes cênicas alagoanas, com casas repletas de crianças e adolescentes. Afinal, este é o sentido maior: a formação de plateia atingindo os quatro cantos do nosso estado”, observou.

O regente e diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Alagoas, maestro Luiz Martins, destaca o carinho do grupo com este palco centenário, onde os músicos estrearam em Maceió, no ano de 2017. “Para nós, que compomos a Filarmônica de Alagoas, o Teatro Deodoro é a representação da figura acolhedora, que jamais desiste de seus filhos e que, acima de tudo, nos encoraja à reinvenção! Mas não só. Este palco nos ensina que o palco externo da vida padece de fantasia, de encantamento, do questionável, do riso, do choro e da emotiva e sonora comoção dos que, sendo público, técnicos ou artistas, não desistiram da arte maior que nos rege. Parabéns aos queridos Sheila Maluf, Alexandre Holanda e a todos que compõem esta magnífica e amorosa casa de espetáculos! ”, pontuou.

Presente de aniversário:

O ano de 2020 foi difícil, com as atividades no palco suspensas devido à pandemia da Covid-19, com artistas e plateia se encontrando apenas no digital, ansiosos e saudosos para o encontro presencial. Mesmo em meio a este cenário, temos algo a celebrar: a obra de pintura e manutenção do teatro foi iniciada, no dia 09.

“Ficamos muito felizes com a realização desta obra, que irá executar reparos importantes para a preservação deste patrimônio e manutenção de suas atividades. O Teatro Deodoro possui, além de sua representatividade para a sociedade como palco oficial do estado, uma arquitetura bela e rica, característica da época em que foi construído. É uma grande satisfação contribuir para a continuidade dessa história. Agradecemos, em nome de toda a Diteal, pelo investimento do Governo do Estado na obra”, observou Sheila Maluf, diretora presidente da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal).

Após cumprir todas as exigências do processo licitatório e garantir o recurso de R$ 353.813,21 do Governo do Estado, a equipe da Diteal comemora o início da obra. Com previsão de duração de quatro meses, serão feitos serviços, como pintura interna e externa, recuperação de portas e janelas. Ao final da obra, o Teatro Deodoro estará de cara nova, porém respeitando o antigo e mantendo sua história viva.

Celebração virtual:

O aniversário da casa é sempre motivo de uma vasta programação cultural comemorativa. Este ano, devido à pandemia da Covid-19, a celebração será virtual. Serão exibidos nove vídeos de artistas e grupos alagoanos, entre música, dança e teatro no canal do Teatro Deodoro, no Youtube.

Confira as atrações e datas das estreias:

17.11 – Wilma Miranda e Leureny Barbosa


19.11 – Ballet Eliana Cavalcanti

24.11 – Associação Teatral Joana Gajuru
26.11 – Gama Junior

01.12 – CIA Nêga Fulô
03.12 – Chorões de Maceió

08.12 – Studio Bella Danza
10.12 – Fernanda Guimarães

15.12 –  Grupo Cena Livre

Texto: Hannah Copertino / Agência Alagoas. Imagem: João Erisson..